Não olhe para trás: Você pode
virar uma estátua de pedra
O julgamento
Luciana Costa Aglantzakis
Juíza Estadual TJTO
Somos seres do contemporâneo e
vivemos cada dia mais individualmente isolados.
O
ser que vive no poder judiciário, o juiz do nosso tempo é o juiz de homens cada dia mais
individualmente considerados que tratam o seu ego pelos padrão dos mais fortes.
O
que eu quero dizer com isso é que o juiz de hoje deve entender que ele deve realizar
um juízo crítico do que lhe é posto de
forma soberana, pois tudo que é posto de cima para baixo tende a diminuir o seu
semelhante.
E
se vivemos num mundo democrático o juiz de hoje deve se preocupar em ter um juízo que valore e saiba
dialogar com as partes.
Porém,
eu vejo que é muito complicado ter um bom juizo em instituições que não valoram
as pessoas de forma similar e terminam por criar falsos deuses e heróis que
impõem seus predicados para serem observados independentes destes serem
nominais ou verbais, mas simplesmente por serem predicados.
O
juiz que busca diálogo pode ser impedido de ter voz pois sua voz pode incomodar
aos poderosos, apenas pela circunstância de motivar o diálogo.
As
instituições de hoje criam sistemas de gestão de pessoas, até criam propostas
de valorar talentos, mas na prática não querem ouvir o outro, pois já concebeu
o que lhe é conveniente.
No Tribunal
de Justiça em que trabalho até hoje não
sei o que fizeram com um projeto denominado Gestão de competências e não sei
concretamente qual potecial latente de servidor ou magistrado foi efetivamente
explorado, mas acredito que houve várias inserções de aplicação do talentos das
pessoas, mas essas ações precisam serem divulgadas para criar estímulo coletivo.
Se
formos olhar para trás não saberemos como olhar para frente e tirar conclusões sensatas
que estimule o aprimoramento das instituições.
O
Estado de flow, ou fluxo é um estado magnífico de produção que faz o ser humano
produzir com qualidade, porque ele faz aquilo que gosta verdadeiramente e colhe
para a sociedade um produto de qualidade.
O artigo 93, inciso XIII da Constituição Federal
preconiza que o número de juízes na unidade jurisdicional será proporcional à
efetiva demanda judicial e à respectiva população; mas esta regra
deve prever se o número de entradas para análise são compatíveis para o
trabalho do magistrado exercer sua atribuição com excelência.
Reflito
se este estado é possível no poder judiciário com tanta meta imposta pelo CNJ,
por um sistema tão fechado e rígido e ainda por cima quando vivenciamos num
corpo social de magistrados individualistas ao extremo, que estão mais
preocupado em obterem um diploma diamante, ouro do que realmente pensar se
vários magistrados não estão morrendo de tanto stress e depressão ou se as pessoas estão recebendo uma prestação
jurisdicional célere mas sem nenhuma tinta de sentimento.
Para
andar para frente e não virar pedra é mais do que necessário criar
politicas e ações que sensibilizem as
pessoas a ajudar o próximo, fazer como Jesus Cristo, servir aos seus propósitos
e ao dos outros.
Conforme o artigo 37 da Carta Magna a. A administração
pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte e valores
nos orientam na boa tarefa de julgar o próximo.
Jesus
serve ao propósito dele quando realiza o projeto de vida que Deus lhe pediu quando
veio a terra ser nosso salvador. Mas Cristo também fez milagres e olhou
carinhosamente aqueles que lhe pediram socorro.
E
assim penso que olhar para frente e não ser uma estátua de pedra exige de mim
fazer o que há de melhor de mim na magistratura e ouvir o grito de socorro dos
mais desfavorecidos, porque eles também precisam seguir o tortuoso caminho
deles e estrada da vida é um rio que
todos temos que transpassar.
Pela lógica de Kant é mais fácil o homem fazer
o que é conveniente e seguir a justiça daquele que comanda na sociedade e é
reconhecidamente virtuoso. O homem que
quer ser grande não enxerga o pequeno. É perda de tempo. Fica ainda mais fácil
julgar ele numa postura filosófica cética de que os argumentos do pequeno são
todos errados.
Este
pequeno vai cair muito, pois ele tem que ser forte. Não pode se apequenar com a
falta de humanidade dos que se intitulam “grande”.
O
pequeno vai ter que procurar os bons que lhe escutam os gritos, pois estes
também foram pequenos.
O
grande pensar que é virtuoso pois tem poder, instituições e dinheiro que
lhe serve o tempo todo e dessa forma pensa que é forte e amado, mas na verdade é apenas temido
e seguido por seres que vivem no muro, que não são frios nem quentes, mornos.
E indo mais adiante para não virar estátua de
pedra não podemos pensar que vivemos no mundo do temor e não se pode fazer nada
pelo bel prazer, mas tão somente pelo medo de ser julgado,
Nunca
devemos seguir os poderosos sem uma crítica construtiva apenas com o medo e
receio de ser julgado.
Como diz Imanuel Kant o homem que segue o mais forte é menor de
idade e não tem autonomia pois é míope numa visão estreita da heteronomia do
outro, situação que tende a criar situações abusivas pois não há o diálogo e
nem a crítica.
O
Poder Judiciário e qualquer outro espaço de poder vivencia hoje uma situação
latente de completa heteronomia de seus pares.
O
diálogo é interpretado como crítica e falta guardiões do bem em poderes de
destaque.
As
escolas servem para destilar o conhecimento e talvez falte o tempero que ensine a discutir e olhar para frente na tentativa de
que os homens sejam de carne e osso e não homens de pedra.
Não
devemos ter medo de errar, pois o erro é o passo para que o homem não vire uma
estátua de pedra e o erro estimula o
homem a enxergar o seu potencial.
E é
justamente nessa lógica que não podemos ser estátua de pedra. A lógica de
seguir os que estão sempre no status do poder nos força a olhar para os
exemplos dos outros e não nos ensina a pensar criticamente.
Aqueles
que estão no caminho do porvir, em busca de um status de crescimento em prol de
uma sociedade, justa e livre não devem nunca esquecer que se olha para frente na
conquista dos espaços de conhecimento e
autonomia.
Hoje,
se você é reprovado em alguma prova da vida ou está se sentindo injustiçado com
algum julgamento feito pelo poder judiciário eu te digo como juíza que se
acalme.
Dê
um “grito de bom” que os guardiões lhe escutará pois há valor no seu espírito.
Mude
a situação de heteronomia dos que lhe envergonharam e siga, crie, invente, seja
altruísta e autonomo e quanto menos esperar você criará um legado e os que fizeram a tua prova vão um dia pedir
socorro a você.
Vivemos
num mundo que a justiça não é individual, “acolha o seu próximo”.
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